Ações em tesouraria é ativo ou passivo?

Quando se trata de contabilidade e análise financeira de uma empresa, é fundamental compreender a classificação das ações em tesouraria para uma avaliação precisa do seu patrimônio líquido. Surge então a questão: as ações em tesouraria devem ser consideradas como um ativo ou um passivo? 

Neste artigo, vamos explorar essa distinção e entender melhor como as ações em tesouraria são classificadas no contexto contábil. Discutiremos os critérios para determinar se as ações em tesouraria são consideradas um ativo ou um passivo, bem como sua importância na análise do capital próprio e na gestão do patrimônio líquido de uma empresa.  Se você está interessado em compreender melhor a natureza das ações em tesouraria e sua classificação adequada no balanço patrimonial de uma empresa, continue a leitura. Este artigo fornecerá insights valiosos para ajudá-lo a interpretar e utilizar corretamente essa importante informação financeira em sua análise empresarial.

O que é ações em tesouraria?

Ações em tesouraria, também conhecidas como ações próprias, referem-se à prática de uma empresa adquirir suas próprias ações no mercado financeiro. Essas ações são compradas pela própria empresa, o que as torna inativas e retiradas do mercado de ações. Esse processo resulta na redução do número total de ações em circulação da empresa.  As empresas podem optar por adquirir suas próprias ações por diversas razões estratégicas e financeiras. 

Uma das razões mais comuns é utilizar as ações em tesouraria como uma ferramenta para gerenciar o capital da empresa e criar valor para os acionistas. Ao recomprar suas próprias ações, a empresa pode sinalizar ao mercado que suas ações estão subvalorizadas e que ela acredita que investir em suas próprias ações seja uma opção atraente de alocação de capital. Além disso, as ações em tesouraria também podem ser utilizadas para atender a necessidades específicas da empresa, como financiar planos de remuneração baseada em ações para funcionários, realizar fusões e aquisições, ou até mesmo evitar diluição acionária quando há emissão de novas ações.

É importante ressaltar que as ações em tesouraria não conferem direitos de voto nem direitos a dividendos à empresa que as detém. Elas são consideradas como parte do patrimônio líquido da empresa e são registradas no balanço patrimonial como uma redução do patrimônio líquido.

Para que serve as ações em tesouraria?

As ações em tesouraria têm várias finalidades e podem ser utilizadas pela empresa de diversas formas, incluindo:

  • Distribuição de Lucros: As ações em tesouraria podem ser utilizadas para distribuir lucros aos acionistas. Quando a empresa recompra suas próprias ações e as mantém em tesouraria, ela reduz o número de ações em circulação. Isso pode aumentar o valor do dividendo por ação, beneficiando os acionistas restantes.
  • Flexibilidade Financeira: As ações em tesouraria oferecem à empresa flexibilidade financeira. Elas podem ser recompradas e mantidas em reserva para serem posteriormente revendidas no mercado, caso a empresa precise de capital adicional ou veja oportunidades de investimento favoráveis.
  • Gestão de Capital Próprio: A recompra de ações pode ser usada como parte da estratégia de gestão de capital próprio da empresa. Ao recomprar suas próprias ações, a empresa pode ajustar sua estrutura de capital, otimizar a alocação de recursos e sinalizar confiança em seu próprio valor.
  • Incentivos para Funcionários: As ações em tesouraria podem ser utilizadas para satisfazer as opções de compra de ações concedidas aos funcionários como parte de programas de remuneração baseados em ações. Quando os funcionários exercem suas opções de compra de ações, a empresa pode fornecer ações em tesouraria em vez de emitir novas ações, reduzindo assim a diluição para os acionistas existentes.
  • Controle Acionário: Em alguns casos, as ações em tesouraria podem ser utilizadas para consolidar o controle acionário da empresa. Ao recomprar ações no mercado aberto, a empresa pode reduzir o número de acionistas e consolidar o controle nas mãos dos acionistas majoritários ou da administração da empresa.

Por que as empresas mantêm ações em tesouraria?

As empresas mantêm ações em tesouraria por uma variedade de razões estratégicas e financeiras. Uma das principais razões é utilizar essas ações como uma ferramenta para gerenciar o capital da empresa e criar valor para os acionistas. Quando uma empresa acredita que suas ações estão subvalorizadas no mercado, ela pode optar por recomprar suas próprias ações.

Essa recompra envia um sinal positivo ao mercado de que a empresa considera suas ações uma boa oportunidade de investimento e que está comprometida em maximizar o retorno para seus acionistas. Além disso, as ações em tesouraria podem ser usadas para atender a necessidades específicas da empresa.  Por exemplo, elas podem ser utilizadas para financiar planos de remuneração baseada em ações para funcionários, o que pode ser uma ferramenta eficaz para atrair e reter talentos.

As ações em tesouraria também podem ser usadas em transações de fusões e aquisições, ajudando a financiar ou facilitar o processo de integração de empresas adquiridas. Outra possibilidade é evitar diluição acionária quando há emissão de novas ações, permitindo à empresa manter o controle sobre seu capital. Além disso, a recompra de ações pode ser uma estratégia para otimizar a estrutura de capital da empresa e melhorar seus índices de rentabilidade e de retorno sobre o patrimônio líquido. Isso porque, ao reduzir o número de ações em circulação, a empresa aumenta o lucro por ação, o que pode impulsionar o preço das ações e gerar valor para os acionistas existentes. No entanto, é importante ressaltar que as empresas devem estar em conformidade com as regulamentações e normas do mercado de capitais ao adquirirem suas próprias ações. 

O que as ações em tesouraria significam para o investidor?

Para o investidor, as ações em tesouraria podem ter diferentes significados e impactos, dependendo do contexto e da situação específica da empresa. Aqui estão algumas maneiras como as ações em tesouraria podem afetar os investidores:

  • Potencial sinal de valorização das ações: Quando uma empresa opta por recomprar suas próprias ações e mantê-las em tesouraria, isso pode ser interpretado como um sinal de que a empresa considera suas ações subvalorizadas no mercado. Para os investidores, isso pode sugerir que as ações da empresa têm potencial de valorização no futuro, o que pode aumentar o interesse e a confiança dos investidores na empresa.
  • Impacto na distribuição de dividendos: A recompra de ações pode reduzir o número de ações em circulação, o que, por sua vez, aumenta o lucro por ação da empresa. Isso pode levar a um aumento na distribuição de dividendos por ação, pois a empresa pode optar por distribuir uma parcela maior de seus lucros entre os acionistas existentes.
  • Potencial diluição acionária: Por outro lado, se a empresa decidir utilizar as ações em tesouraria para emissão de novas ações, isso pode resultar em diluição acionária para os investidores existentes. Isso acontece porque a emissão de novas ações aumenta o número total de ações em circulação, reduzindo assim a participação proporcional de cada acionista no capital da empresa.
  • Indicador de gestão financeira: A recompra de ações também pode ser vista como um indicador da saúde financeira e da confiança da gestão da empresa. Se a empresa tem recursos disponíveis para recomprar suas próprias ações, isso pode sugerir que ela está gerando caixa em excesso, o que pode ser interpretado positivamente pelos investidores.
  • Potencial impacto no preço das ações: A recompra de ações pode ter um impacto direto no preço das ações da empresa no mercado secundário. Se a empresa recomprar suas ações de forma consistente e significativa ao longo do tempo, isso pode ajudar a sustentar ou até mesmo elevar o preço das ações no mercado, beneficiando os investidores existentes.

Ações em tesouraria é ativo ou passivo?

Ações em tesouraria são consideradas um redutor do patrimônio líquido de uma empresa e, portanto, não são classificadas como ativo ou passivo. Quando uma empresa recompra suas próprias ações e as mantém em tesouraria, essas ações são registradas como uma redução do patrimônio líquido no balanço patrimonial.

O patrimônio líquido é composto pelo capital social da empresa, acrescido dos lucros retidos e diminuído de eventuais prejuízos acumulados e distribuições de dividendos. As ações em tesouraria representam uma parcela do capital social que foi recomprada pela empresa e, portanto, são registradas como uma redução do patrimônio líquido.

Portanto, as ações em tesouraria não são classificadas como ativo nem passivo, mas sim como parte do patrimônio líquido da empresa. Elas são apresentadas no balanço patrimonial como uma conta de redução do patrimônio líquido e não têm impacto direto nos ativos ou passivos da empresa.

Conclusão

Em conclusão, as ações em tesouraria são consideradas uma redução do patrimônio líquido de uma empresa e, portanto, não são classificadas como ativo ou passivo. Quando uma empresa recompra suas próprias ações e as mantém em tesouraria, elas não representam um recurso disponível para a empresa, nem uma obrigação a ser cumprida.  Em vez disso, elas são tratadas como uma forma de reduzir o capital social ou como um instrumento para fins específicos, como programas de incentivo de funcionários ou fusões e aquisições. Portanto, as ações em tesouraria são registradas no patrimônio líquido e não afetam diretamente os ativos ou passivos da empresa. Precisando de suporte com este tema, entre em contato conosco, a Lage Contabilidade possui experiência de 30 anos de mercado, e pode te ajudar!

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